A Importância da Comunicação na Segurança

Numa entrevista dada por Chirs Loomis, ele relatou como foi quando foi contratado pela DuPont.

No primeiro dia, houve uma preleção pelo gerente de segurança, onde lhe foi dito o seguinte:

a) Esta é uma planta de produtos químicos, e se você abrir uma válvula errada, a planta toda pode explodir!

b) Mesmo que você seja cuidadoso, o Bob sentado aí a seu lado, pode abrir a válvula errada, matando todo mundo que estiver perto!

c) Plantas químicas são locais perigosos.

À noite, em casa, comentou com a esposa que tinha aprendido 3 coisas muito importantes. Eram elas:

a) Não deveria nunca tocar em qualquer válvula, pelo motivo que fosse;

b) Deveria procurar trabalhar longe do Bob o tempo todo;

c) E que deveria aumentar o seguro de vida!

 

Ora, clareza e entendimento são essenciais na área de segurança. Senão vejamos:

a) Em algumas situações de emergência pode ser vital abrir ou fechar alguma válvula, não se podendo deixar de agir por causa do não entendimento correto da explicação dada pelo gerente. A mensagem deveria ser entendida como: seja sempre cuidadoso e faça uma rápida análise de risco antes de qualquer ação importante.

Exemplos são “Take five” da DuPont (pare 5 minutos e analise) ou “SLAM” da Anglo American (stop, look, analyze and manage) ou “4P” da Queiroz Galvão Óleo e Gás (pare, pense, planeje e prossiga se seguro).

b) O exemplo era do Bob, mas poderia ser de qualquer outra pessoa da planta. Não daria para trabalhar isolado de todos. A mensagem correta era para todos cuidarem de todos, o tempo todo.

c) Aumentar o seguro de vida em nada alteraria o nível de segurança na planta, nem controlaria as condições perigosas (“hazards”). Aumentar o seguro é uma decisão de efeito reativo e mitigador, não de prevenção de incidentes.

Sua família prefere não ficar rica mas ter você vivo todo dia.

 

Sérgio Médici de Eston - Professor Titular - Escola Politécnica da USP (Edição 113 do Jornal Segurito)

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