Historinha do Sobral – TST e o Vampiro

23.10.2016

 

Escovou os dentes com todo zelo, passou o fio dental em cada cantinho e concluiu com o enxaguante bucal. Afinal, sendo um vampiro, os dentes eram como um instrumento de trabalho.

 

Saiu pela noite para fazer um lanchinho e no meio do caminho encontra um jovem distraído jogando Pokémon Go. O vampiro dá um rasante e... Ploft!!! Como estava tentando economizar uma grana não atualizou o grau dos óculos e acabou não vendo a fiação elétrica dando de encontro e caindo na frente do jovem André.

 

André primeiro ficou assustado pensando que era uma ladrão, mas quando viu a capa, os dentes pontudos e o rosto branco como cera, pensou: “É alguma festa a fantasia, deixa eu ajudar o folião”.

 

Porém, o vampiro flutua como mágica e diz com olhar fixo no pescoço do André: Não se preocupe, estou bem, mas acho que agora você vai poder me ajudar muito mais.

 

O Jovem André, que era bem astucioso percebe que o negócio é sério, pensa rápido e fala: “Vossa Excelência Vampiresca (acho que foi um bom início de conversa), não se precipite, tenho uma proposta do seu interesse, além do mais fiz exame de sangue e está só verme (e eu que achava que verme só se via no exame de fezes, mas acho que foi uma forma de assustar, afinal ele é vampiro não é médico).

 

O vampiro com cara de nojo, pede para o André continuar com a proposta porque tempo ele tinha de sobra, na verdade a eternidade.

 

- Pois bem, excelência, sou Técnico de Segurança do Trabalho e representante de EPIs e acho que posso lhe ajudar e talvez o senhor possa me liberar da dentada. Se não é lenda, sei que o senhor tem uma dificuldade com passeios matinais, parece que o sol lhe traz muito mais do que um bronzeado.

 

O vampiro impaciente, berra: Desembucha logo!!!

 

- Bacana, é o seguinte. Lá na empresa nós temos uma roupa para quem trabalha com fornos, material de primeira, tem CA atualizado e está na garantia. Tenho capuz, macacão, bota, luvas e braçadeiras. E com esta proteção toda tenho certeza que mesmo ao meio dia, o senhor vai estar tão seguro, quanto se estivesse no seu caixãozinho. E se for levar o kit completo, ainda arranjo o protetor solar para usar por baixo e ter uma segurança extra.

 

- E onde eu posso pegar? 

 

- Patrão, na verdade, não é do pega, não (e o André estava indo tão bem). O material completo sai por R$ 2300,00, mas como gostei do teu estilo, deixo pelo 2000 reais.

 

O vampiro fica pensando: faz milhares de anos que saio à noite, as melhores festas são à noite, já estou acostumado a dormir pela manhã, não gosto de praia e essa roupa toda deve ser muito quente. Além disso, os negócios não estão indo bem e R$ 2000,00 vai me fazer falta... Olhou de volta para o André e cravou os dentes.

 

Moral da história: para implantar uma cultura prevencionista, como a de fazer alguém entender a necessidade de um EPI, não ocorre do dia para noite é preciso de mais do que algumas palavras. É preciso tempo, bons argumentos e uma grande dose de paciência.

 

Ah, e não se preocupe com o André, hoje ele trabalha de Técnico de Segurança do Trabalho no castelo do Vampiro. Mês passado até teve eleição da CIPA e o Frankstein foi escolhido como presidente.

 

Autor: Mário Sobral Júnior

Jornal Segurito 121 - http://www.jornalsegurito.com/outubro

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