Prevencionista = Eterno "aprendedor"

Dou aula faz uns 13 anos e às vezes acho que a educação está cada vez mais formando pessoas cartesianas, ou seja, indivíduos que pensam e agem como seguindo procedimentos. Falo isso porque a cada dia ouço menos questionamentos, os alunos não desconfiam das minhas afirmações, apenas escutam, como se eu tivesse um gabarito.

Ahhh, professor, mas eu mesmo fico com vergonha de duvidar da informação! Tem professor que fica chateado.

Talvez, no momento, dependendo da dúvida, alguns professores fiquem incomodados, mas estes questionamentos, fazem com que ele repense as informações, reveja o formato da aula ou até mude de opinião, ou seja, o aluno e o professor crescem.

Gosto muito de uma frase do Sigmund Freud que explica bem isso: Se dois indivíduos estão sempre de acordo em tudo, posso assegurar que um dos dois pensa por ambos.

Professor, mas parte desta responsabilidade de gerar alunos mais questionadores não é da própria escola?

Com certeza, sei que sendo professor faço parte do problema e por isso minha inquietação em busca de uma solução. Além do mais, não podemos ficar acorrentados a conhecimentos exclusivamente acadêmicos, e às vezes ultrapassados, devido a velocidade de geração de informações, precisamos quebrar estes elos e buscar novas habilidades.

Também é preciso aceitar a atual instabilidade do mercado e passar a ver cada sala de aula como geradora de mentes que precisam aprender a aprender. Não podemos continuar possibilitando a comparação da sala de aula a um sistema fordiano, ou seja, um processo linear que ao final da linha de produção temos bons profissionais.

Como assim, Professor! Então não basta eu ir para a escola e ter uma formação?

Talvez na época do meu pai ou do meu avô, bastaria adquirir um determinado conhecimento e a vida estava traçada, não era necessário nenhum upgrade profissional. Uma graduação, por exemplo, era certeza de emprego.

Hoje, além de não haver certeza de nada, precisamos de atualizações constantes, por isso nosso objetivo não pode ser uma determinada formação, mas sim aprender a ser um eterno “aprendedor”. Caso você conquiste esta qualidade estará pronto para hoje, amanhã e para o incerto futuro. Para isso, é preciso duvidar do seu professor, do livro que você está lendo (se não está, deveria), buscar fontes paralelas e continuar crescendo e aprendendo.


Autor: Mário Sobral Júnior – Engenheiro de Segurança do Trabalho