CARGA MENTAL DE TRABALHO

11.04.2018

Meu filho, você já ouviu falar sobre fadiga mental?

Sim, professor. Tenho lido muito sobre o assunto, porém a minha principal dúvida é sobre quais controles eu vou aplicar, geralmente só vejo soluções abstratas.

Entendo, mas realmente é difícil estabelecer uma receita de bolo, pois cada pessoa tem uma percepção e reação diferente ao problema.

De forma simplificada podemos dizer que o processamento das informações pelos trabalhadores pode ser dividido nas seguintes etapas:

- Detectar a informação;

- Interpretar a informação;

- Elaborar respostas;

- Escolher a melhor resposta;

- Emitir a resposta.

Sim, mas como isto vai me ajudar a estabelecer controles?

Para prevenção da fadiga mental devemos pensar em formas de atuar nestas etapas, por exemplo:

Para facilitar a detecção das informações precisamos avaliar se os sinais que chegam ao trabalhador estão adequados, sem informações desnecessárias, ou seja, tentar facilitar esta percepção da informação.

Ao diminuirmos o esforço para esta etapa estaremos começando a diminuir a carga de trabalho mental.

Tem um exemplo, professor?

Sim, imagine que um determinado trabalhador precise diariamente fazer a verificação de dezenas de páginas de textos, mas para economizar na tinta da impressora, a impressão é realizada em modo rascunho e o papel não seja de boa qualidade, parece uma bobagem, mas melhorar esta situação irá diminuir a carga mental.

Entendi!!

Mas devemos atuar nas demais etapas também, por exemplo na interpretação da informação. O grau de dificuldade desta interpretação deve ser compatível com o tempo disponível e com o grau de conhecimento do trabalhador. No entanto, esta avaliação precisa ser individualizada.

Por exemplo, no caso do trabalhador do exemplo anterior, digamos que apesar de eu ter melhorado a impressão e qualidade do papel o texto é muito rebuscado para a formação do trabalhador e desta forma ele também teria maior carga mental.

 

 

Exatamente, meu filho!

Em relação às etapas relacionadas à tomada de decisão, precisamos dar alternativas que não sejam ambíguas, além de proporcionar postos de trabalho confortáveis, ou seja, a ergonomia do posto terá impacto direto na maior ou menor carga mental de trabalho.

Mas além destas ações podemos verificar se não há necessidade de pausas, possibilidade de alternar uma tarefa de elevada exigência com uma de menor e avaliar a necessidade de contínuos treinamentos, pois se o trabalhador estiver mais capacitado a carga mental tende a diminuir.

Um detalhe importante quando falamos de carga mental, em geral pensamos em excesso de trabalho, mas o oposto também tem consequências, se o trabalhador estiver sendo subutilizado há grande probabilidade de fadiga mental, ou seja, um trabalho extremamente monótono e que não exija o mínimo do trabalhador também poderá trazer fadiga mental ao trabalhador.

Autor: Mário Sobral Júnior – Engenheiro de Segurança do Trabalho

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