Os procedimentos podem encaixotar os trabalhadores?

22.11.2018

Na minha opinião um dos principais problemas geradores da sobrecarga mental é o avanço do engessamento das decisões a que o trabalhador possa vir a tomar nas suas atividades.

A cada novo dia temos menos liberdade, pois muitos acreditam que para diminuir os erros e os riscos basta estabelecer bons procedimentos. Como consequência, empurramos o trabalhador para dentro de uma caixa, limitando suas ações.

 

Porém, ao mesmo tempo, ouvimos o grito, com toda a força dos pulmões, de que precisamos de trabalhadores mais criativos, que saiam da caixa, que superem as dificuldades.

Esta relação de bate e assopra cria as angústias e óbvio, limita o desenvolvimento do trabalhador.

Professor, então devemos queimar todos os procedimentos?

Não, meu filho, nada de radicalismo.

Os procedimentos podem e devem ser utilizados, mas como norteadores. Acho que é fácil de entender que nunca um procedimento terá todas as situações de riscos possíveis e as ações adequadas para cada uma delas. Esta na verdade é uma das principais qualidades do ser humano, diante do novo, do inédito, daquilo que ainda não aconteceu e por isso não poderia ser previsto em nenhum procedimento, poderá ser analisado em segundos pelo trabalhador, que proporá uma nova solução.

Porém, no momento em que padronizamos tudo e acorrentamos sua mente, estamos criando trabalhadores que vão perdendo a capacidade de superar o dinamismo natural do dia a dia do trabalho e da própria vida.

Autor: Mário Sobral Júnior – Engenheiro de Segurança do Trabalho

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