A CANOA VIROU POR CAUSA DA MARIA. SERÁ?

31.12.2018

 

Peço licença ao leitor para escrever um devaneio sobre um tema infantil, mas para acabar logo com a sua curiosidade deixa eu explicar melhor. Ontem eu estava na padaria quando eu ouvi uma criança cantando uma musiquinha conhecidíssima. Vou colocar só um trecho, mas tenho certeza que você conhece.

“A canoa virou,

Por deixarem ela virar.

Foi por causa da Maria

Que não soube remar”.

Não sei se você percebeu, mas esta música dá a entender que a culpa é da Maria, sem nenhuma análise mais apurada dos reais motivos da canoa ter virado.

Fiz uma avaliação rápida e acho que as seguintes questões precisariam ser consideradas:

1)      Apesar da música indicar que o motivo principal foi ter sido a Maria não saber remar, seria necessário avaliar a qualidade do remo e as dimensões. Por exemplo, um remo mais curto poderia facilitar o desequilíbrio?

2)      A canoa pode ter virado em função do desespero da Maria devido a um pequeno desequilíbrio, situação que poderia ter sido evitada caso a empresa realizasse simulados periódicos para uma reação mais adequada da remadora.

3)      Gostaria de dar uma olhada no exame admissional para avaliar se foram consideradas questões como labirintite, pressão alta ou mesmo alguma fobia extrema da Maria, o que pode ter facilitado o seu desequilíbrio.

4)      Gostaria de dar uma olhada também nos documentos do setor de logística e verificar se a carga da canoa estava adequada a sua capacidade.

5)      Como estava a situação de produção no dia do sinistro? Será que estavam com a produção atrasada e com a Maria sendo pressionada pelo chefe para aumentar a sua produtividade, em uma semana com horas extras diárias, além de problemas extratrabalho que poderiam estar atrapalhando a habilidade da remadora?

Por fim, em uma época de implantação de postos de trabalhos mais ergonômicos para o trabalhador é importante uma melhoria imediata de aquisição de um motor de popa o que diminuiria o esforço físico e possibilitaria uma postura mais adequada além de minimizar a possibilidade de virar a canoa.

Após esta análise prévia e provavelmente incompleta, percebe-se que os motivos que levaram a canoa a virar podem ter sido diversos e apenas com uma análise ampla podemos sanar as dúvidas e encontrar, não o culpado, mas os controles adequados para que futuras Marias não sejam vítimas do mesmo acidente.

 

Autor: Mário Sobral Júnior – Engenheiro de Segurança do Trabalho

 

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