TRÊS PORQUINHOS, UM LOBO E NENHUMA SEGURANÇA.

05.01.2019

Não sei se o caro leitor está sabendo que eu estou de férias, mas é incrível como minha cabeça não para de pensar em Segurança do trabalho. Por exemplo, ontem levei meu afilhado e o irmão dele em uma área de livros infantis na Livraria do shopping e enquanto eles corriam e olhavam alguns livros acabei desfolhando a clássica história dos Três Porquinhos e fiquei pensando sobre os riscos que estavam relacionados aos personagens da história.

Abaixo uma breve análise:

1)          Minha primeira preocupação é com a cena da queda das casas com o sopro do lobo. A casa de palha já iria proporcionar alguns arranhões, mas imagine fazer uma cena com queda de uma casa de madeira sobre inocentes porquinhos.

2)          Ainda em relação à palha, acredito que o ideal seria os porcos utilizarem durante a cena alguma proteção respiratória, pois de acordo com diversos estudos a exposição à palha tem associação com a prevalência de sintomas de asma e outros problemas respiratórios crônicos.

3)          Por fim, imagine o desgaste para que pequenos porquinhos tivessem que construir as próprias casas de forma manual e com elevado esforço físico.

 

Mas não podemos esquecer do lobo, este é outro coitado que queria apenas se alimentar e apenas por esta necessidade fisiológica acaba sendo taxado como sendo mau. Muitos esquecem que todos os lobos da face da terra, estando com fome e na presença de suculentos porquinhos, teriam a mesma reação.

Em relação ao lobo fiz a seguinte análise:

1)          Acho que seria importante uma avaliação física prévia do condicionamento físico do lobo, pois ele corre, sopra e escala chaminé. Todo este esforço poderia trazer problemas para o coitado. Além disso, seria importante realizar uma espirometria (exame para avaliar sua capacidade pulmonar).

2)          Outro ponto que sempre considero em relação ao lobo é a falta de treinamento de espaço confinado e trabalho em altura, pois só com treinamentos atualizados ele poderia se arriscar a descer pela chaminé. Na verdade, com estes treinamentos teria feito uma análise de riscos e saberia que não seria a melhor ideia.

3)          Por fim, fico sempre imaginando se nestes treinamentos consideraram os primeiros socorros e a medidas a serem tomadas no caso de queimaduras de segundo e terceiro graus. Conhecimentos necessários para o faminto e queimado lobo.

Com esta primeira e breve análise percebo ser urgente uma campanha para Segurança do Trabalho nas histórias infantis, com foco na conscientização dos autores sobre a importância da prevenção e proteção dos seus personagens.

 

Eng. Mário Sobral Jr - www.jornalsegurito.com

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