ADORAMOS O RISCO

18.08.2019

Você já parou para pensar por que é tão difícil fazer com que o trabalhador siga os procedimentos de segurança e não se arrisque?

Pois bem, se você olhar em volta, vai perceber que vivemos em uma sociedade que tem uma verdadeira idolatria ao risco.

Como assim, professor?

 

Em uma corrida, você torce para o piloto que faz as manobras mais arriscadas ou para o mais prudente? Qual o melhor policial do “filme hollywoodiano”, o que aguarda o reforço ou o que entra sozinho mandando bala? E o artista circense, será que ele manteria nossa atenção se não estivesse no limite de sua habilidade e totalmente exposto ao risco?

Até a expressão popular nos induz neste sentido. Quem não conhece a frase: “Quem não arrisca não petisca!”? Além desta indução ao que é arriscado, ainda temos outro problema. A maioria dos trabalhadores não tem a total percepção dos riscos da sua atividade. Até entende que algo pode vir a acontecer, mas não com eles, pois em suas cabeças o entendimento é o seguinte: Faço isso há anos e, além disso, sou “safo” no que faço.

Para completar nossa angústia, toda exposição ao risco traz algum tipo de recompensa. Como por exemplo, o status de corajoso em relação aos demais colegas ou o simples fato de concluir determinada atividade mais rápido.

E o que, em geral, oferecemos a este trabalhador?

- Fulano, você é obrigado a fazer assim!!

- Beltrano, se você não fizer deste jeito, pode não chegar em casa hoje!!

O problema é que o trabalhador não é bobo e sabe que na maioria das empresas a obrigação só irá ocorrer se você estiver por perto e, além disso, você fala isso há dias e todo dia ele continua chegando inteiro em casa.

Professor, assim não dá, estou para rasgar o diploma e mudar de emprego!

Não desista tão fácil. O primeiro passo para derrotar o inimigo é conhecê-lo e a nossa vida é conhecer os riscos. Então, vamos contra-atacar, identificando os riscos, divulgando suas consequências e conversando com o trabalhador, para tentar identificar quais são os benefícios que ele está obtendo com aquele modo de agir, e estimular benefícios seguros.

Nossa principal arma deve ser a informação, pois quanto mais o trabalhador sabe e respeita os riscos de sua atividade, mais fácil será convencê-lo a seguir determinado procedimento de segurança.

Trecho do livro: Segurança do Trabalho – Organizando o Setor – Vol. 2 – Mário Sobral Jr - www.jornalsegurito.com

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