Email de alerta da higienista Berenice Goelzer sobre ruído excessivo

09.12.2019

E-MAIL:

 

De: Berenice Goelzer

 

Prezados amigas e amigos,

 

O ruído “social” é um assunto sério, com o qual quase ninguém se preocupa, portanto resolvi fazer uma campanha pessoal, enviando a meus amigos esta mensagem e pedindo que divulguem ao máximo. Por acaso, terminei um artigo sobre o assunto, a ser publicado em breve e que está anexo.

Por favor, leiam quando tiverem tempo e divulguem (se concordarem, claro).

 

Refiro-me a, por exemplo, caixas de som com potência excessiva em festas, shows, academias, entre outros ambientes, sendo também um problema sério o uso prolongado de aparelhos com fones de ouvido, com volumes muito altos.

 

Friso que não estou falando contra amplificadores nos concertos e shows, onde são necessários, porém contra o excesso de volume, o que inclusive leva à distorção e queda de qualidade do som o que é pena (para os verdadeiros amantes de música).

 

É importante iniciar uma campanha para diminuir a exposição, principalmente de jovens e crianças, a altos níveis de ruído, o que pode causar consequências graves, como a perda gradual de audição e tinnitus (zumbido nos ouvidos), ambos incuráveis e irreversíveis e que certamente, mais tarde,

afetarão uma boa percentagem dos expostos (principalmente os mais jovens).

 

Isso para não falar dos efeitos não auditivos dos ruídos excessivos (que vão de cardiovasculares até emocionais, particularmente para pessoas mais sensíveis).

 

Não creio que os pais possam desejar isso para seus filhos, entretanto eles aceitam estes ruídos aberrantes, desnecessários e altamente prejudiciais por pura ignorância das consequências. Certos pais nem gostam de ser alertados, como um jovem pai que me disse, com risinho irônico, quando demonstrei inquietude ao ver um bebê ao lado de uma caixa com potência sonora elevadíssima: “ele está acostumado” (o pior é que se acostumam mesmo, pois vão perdendo a audição e requerendo sons cada vez mais elevados).

 

Esses sons absurdamente elevados são também prejudiciais para os adultos; causam extremo desconforto, irritação e outros prejuízos. A maioria das pessoas não gosta de som tão alto (ou até sofre), mas “tem vergonha” de reclamar. Aliás, para funcionários de locais como casas noturnas e academias, essa é também uma questão de exposição ocupacional a ruído, sendo em muitos países legislada como tal.

 

O ruído excessivo é um problema de saúde pública que, me parece, está sendo praticamente ignorado, inclusive no que diz respeito à exposição de crianças e jovens em shows e festinhas, bem como nos aparelhos individuais com fones. É comum ver, em certos shows, que as duas primeiras filas são reservadas para crianças, bem junto às caixas de som. Esse atentado contra a saúde auditiva de vítimas inocentes e indefesas tem passado praticamente despercebido.

 

Som tão forte é uma necessidade criada e altamente nociva. Como combater? Não podemos esperar por uma legislação – temos de agir, como cidadãos e não aceitar certas situações.

 

Já escrevi para personalidades que poderiam influenciar a opinião pública, inclusive o Dr Drauzio Varella, mas nem resposta obtive. Incrível a pouca atenção. Aliás, me desapontei com o Dr Varella quanto ao que ele escreveu sobre o problema do tinnitus; escreveu muito bem, porém sem mencionar, entre suas causas, o ruído excessivo.

 

Deve haver uma maior divulgação desse assunto para o grande público, inclusive quanto à prevenção que é simples, por exemplo:

 

- Limitar a capacidade das caixas de som, limitando o nível de ruído em locais de festas e espetáculos (Note-se que atualmente nesses locais são permitidos níveis muito mais altos do que os permitidos em fábricas, minas, etc.)

 

- Evitar caixas de som em festas infantis (algo realmente desnecessário) e não levar crianças em shows com som exagerado

 

- Limitar o volume e o tempo de uso de fones de ouvido para ouvir música

 

- Proteção auditiva para músicos e plateias (situações muitas vezes inevitáveis).

 

Desculpem o mail muito longo e obrigada pela atenção.

 

Abraço Berenice Goelzer

 

NOTA: Não consegui anexar o artigo, onde inclusive tem tabela relacionando valores de nível sonoro com consequências. Quem tiver interesse, é só me pedir que envio por e-mail.

 

 

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