Minha opinião sobre a atual situação do país


Gosto de conversar sobre política, mas não gosto muito de escrever sobre, pois se no diálogo já há possibilidade de ruídos e falhas na interpretação, imagine em relação a um texto que vai sem nenhum tutorial de como deve ser lido. Por isso, mesmo com as pernas bambas, vou me arriscar.

Nestes últimos dias estamos vivendo novamente o acirramento de opiniões, entre o certo e os outros, e lógico que nós sempre estaremos do lado certo.

Mas você deve estar se perguntando: de que discussão o senhor está falando, pois temos tantas?

Sim, acho bom eu explicar. Estou falando do embate de permanecer em casa em quarentena ou ir para rua tentar manter a economia rodando.

De um lado temos as pessoas que têm por argumento a necessidade de ficar em casa, pois precisamos atrasar a curva de contaminação e consequentemente possibilitar que hospitais não entrem em colapso e como resultado diminuir as mortes pelo país.

Para quem está deste lado não há dúvidas, pois se conseguirmos salvar pelo menos uma vida já terá valido a pena.

Mas tem o outro lado (sempre tem), que também tem a certeza de estar certo. Este outro lado lembra que nem todo mundo tem condições de ficar em casa, pois temos diversos trabalhadores informais como o picolezeiro, o pedreiro e a doméstica que não podem parar de trabalhar. Lembram até que esta parte da população não tem condições nem de comprar o sabonete para lavar as mãos na frequência que escuta ser necessária, quanto mais o álcool em gel.

No entanto, pode-se argumentar que é melhor passar fome do que morrer. Mas espera aí que o outro lado tem a resposta na ponta da língua: mortes irão ocorrer de qualquer jeito, mas podemos ter muito mais mortes devido à fome em consequência da recessão econômica e do forte desemprego que certamente teremos após a pandemia.

As pessoas que acham melhor todo mundo voltar a trabalhar para minimizar as consequências econômicas, considera seu argumento melhor pois lembra de estar pensando no coletivo. Pera lá, diz o outro lado. Lembrando que os direitos individuais também são importantes, pois o filho que viu a morte do pai ou da avó, também sentirá pelo rosto lágrimas legítimas.

Tive uma ideia, vamos tentar nos inspirar no sábio rei Salomão e dividir o problema no meio, ou seja, quem pode ficar em casa permanece lá e quem não pode, continua circulando. Mas logo percebo não ser tão inteligente quanto o famoso rei, pois vem logo à minha mente a seguinte questão: mas estes que estão circulando vão trabalhar e vender para quem?

O leitor já deve estar impaciente se perguntando: Qual é então a solução? Preciso de uma única resposta correta e precisa, que não deixe dúvidas.

Meu amigo leitor (espero que continue meu amigo), é este o ponto que eu queria chegar, não há como sabermos. Apesar das diversas convicções, as variáveis são tantas que o máximo que podemos pensar em fazer é nos apegarmos às nossas certezas e lembrar que o outro lado, mesmo pensando de outra forma, tem o nosso mesmo objetivo, um país forte economicamente e com o menor número de mortes.

Mário Sobral Jr - Editor do Jornal Segurito